
Desde que vimos o filme do Wall-e no cinema, nos apaixonamos pela história, pela mensagem, pelas personagens… por todo o trabalho que fizeram para que saísse tudo perfeito. AMAMOS a ponto de deixar o Procurando Nemo na segunda posição dos melhores desenhos que já vimos na vida! Claro que pensamos no Lu, que ele ia amar o filme… Um belo dia, o Léo comprou vários filmes pra dar pro Lu de presente e dentre eles estava o do famoso robozinho. Como esperado, Lu amou e sempre assiste dando muitas risadas e achando a Eva linda. Achamos ótimo porque o Pica Pau ficou de lado e como achávamos ele uma péssima influência por causa das ações violentas, a substituição foi mais que bem feita.
Lu se encantou tanto pelo filme que queria porque queria a Eva na casa dele. Queria tanto que pediu para que eu e Ká procurarmos na internet a robozinha. No começo ficamos pensativas se devíamos dar o brinquedo pro Lu (ainda mais depois de vermos o preço) pois ele tá ganhando muito presente e quase tudo que ele pede ele ganha. Maaaaaaaas, como aquele olhinho dele pedindo é irresistível e pelo fato de também sermos apaixonadas pelo desenho e também pensando em como poderíamos explorar o brinquedo, acabamos cedendo.
Claro que combinamos com o Lu que ele deveria merecer o brinquedo novo. Falamos que ele deveria se comportar, não atrasar pra escola, obedecer a mamãe e que aí sim, a Eva chegaria. Ele fez tudo direitinho… Falamos pra ele que a Eva gostava de menino inteligente e comportado e que ela só ia querer morar lá se ele fosse assim. Todos os dias ele perguntava quando a Eva ia chegar. Até que depois de uma semana fizemos a compra do brinquedo em uma loja do Rio de Janeiro. Achamos pela internet e era só esperar a transportadora trazer… e que espera viu? Todo dia o lu perguntando e nada do brinquedo chegar… Eu e a Karla por fim também já estavamos sofrendo com a demora (chegamos a ligar dois dias atrás da loja), achando que o Rio tinha mudado de lugar, e estava mais longe que já é (podia ser aqui do lado, ô se podia).
Nesse meio tempo fomos explicando pro Lu que a Eva que iria chegar era um brinquedo e não a do filme de verdade. Ele ficava perguntando pra gente se ela ia voar e falar como no desenho e tivemos a difícil tarefa de explicar o mundo real sem tirar a ilusão do mundo infantil… e aos poucos ele foi entendendo o espírito da coisa.
Um belo dia, fomos buscar o Lu na escola com a caixa do brinquedo. Ele ficou muito feliz… o sorriso mais lindo do mundo iluminou aquele rostinho perfeito! Ele falava que estava feliz… e a ansiedade era tamanha que foi difícil abrir a caixa e montar o robozinho! Montamos e nem tivemos tempo de ficar com ele naquela noite pois tínhamos treino mas é claro que ele brincou a noite toda e mostrou pra todo mundo.
O brinquedo é a réplica da Eva e vem com um suporte pra ela ficar em pé na mesa. Eva troca seis vezes de expressão quando apertamos um botão na parte de trás do seu corpinho. Há um outro botão também para que ela abra os bracinhos e abra o compartimento onde carrega uma plantinha no filme. Eu e a Karla ficamos um pouco descepcionadas pois achamos pequena e ela não fala, não brilha, não tem nada de automático… mas ao percebermos que essa era a vantagem do brinquedo, ficamos muitíssimo felizes. Ora se ela não fala, não toca música, etc… alguém tem que fazer isso por ela… e quem seria? Claro que o Luiz Júnior.
Ficamos encantadas ao ver o Lu usar corretamente o brinquedo (isso é uma hailidade que deve ser aprendida para os autistas… na maioria das vezes eles usam os objetos para funções que não são seu fim real. Ex: não usam a bicicleta ou o velocípede para andar e sim para ver suas rodas girarem), ver que ela não tinha vida própria como no desenho e ter vontade de dar vida a ela. Ele respondia as perguntas que fazíamos para a Eva (vejam só, ele aceitando que um brinquedo pode ter vida através da imaginação) com sim e não… ele puxava o robô pra cima e empurrava pra baixo quando era sim… e pra uma lado e para outro quando era não. Quando as respostas não se limitavam a sim e não ele fingia que ela falava com ele… e depois falava: A Eva disse que é pra eu me comportar direitinho.
E como ela foi e está sendo importante pra ele se comportar. Ele não quer deixar a Eva triste e faz tudo que pedimos. Pedimos e falamos: pq a Eva vai ficar triste se você se atrasar pra escola. Aí ele olha pra gente e a Karla fala como a robozinha no filme: Evaaaaaaaaa, mas usando uma entonação triste e uma expressão de triste. Ele pede pra repetir e acha ótimo. Aí obedece dizendo que ela não pode ficar triste.
É Claro que proveitamos que ela muda de expressões pra explorar bastante as associações de triste, brava, feliz, dormindo, acordada… Sempre que Lu vai dormir ele põe os olhinhos todo pretos como se ela tivesse desligada e quando acorda ele põe o todo azul. Ele faz ela ficar brava, triste e feliz e traduz pra gente o que ela está sentindo (claro que associado oas sentimentos dele… e adoramos saber o que ele sente). Isso pra quem não tem um parente autista ou relação com alguém com essa síndrome as vezes pode não parecer ter o valor que tem… então vamos explicar: autistas ficam super confusos quanto ao que sentem e essa questão de comunicação de expressões é super importante para eles captarem o que nós sentimos em relação ao que fazem e para fazermos conexão com eles também. Um autista com raiva pode simplismente destruir um objeto por não saber como agir… trabalhar emoções e expressões é uma forma de ajudá-los na difícil tarefa de entenderem esse mundo realmente confuso onde as vezes você está com um sorriso no rosto mas não está nada feliz… ai ai se é difícil para nós imagina pra eles, seres despidos de julgamentos.
Pensam que acabou? Não! Lu ainda explorou sua imaginação com e Eva e criou várias situações… a que ele mais gosta no momento é uma brincadeira de que viramos obejtos que na maioria das vezes ele chama de estátua. Eu viro uma estátua de olhos fechados e corro atrás dele e da Karla falando kakaki. Ele corre, fala pra Karla: Se esconde-se… hahahahahaha ele fala errado desse jeito e sempre corrigimos. Brinca que está com medo… esconde debaixo de almofadas e vamos encrementando a brincadeira sempre que vemos uma brecha (afinal eles que gostam de controlar tudo). Karla inventou uma palavra mágica para falarem três vezes bem alto e eu voltar ao normal, rs
Esses dias ele que ficou mudo com uma piorra na mão e disse que virou objeto… ele se diverte ao ver eu e a Ká preocupadas de ele não responder e querermos ele de volta ao normal. Quem vê de fora acha uma brincadeira de doido mas eu e a Karla nem ligamos pois isso aumenta nosso elo com o Lu fazendo com que ele confie mais na gente e queira sempre aprender mais e mais e goste de brincar (aprender) com a gente (son rise).

Terminando o post, foi engraçado que esses dias uma mãe, a Evellyn Diniz, do grupo de discussões sobre Son Rise, perguntou sobre a influência dos desenhos animado na vida das crianças autitas relatando sua percepção a respeito de sua filha ao assistir desenhos e dizendo que esse estímulo estava ajudando a filha. Como podem perceber, sim, pode ajudar e muito mas ao deixar qualquer criança ver TV, devemos ter responsabilidade e controle. Com crianças autistas a responsabilidade aumenta. TV é super atrativa e pode ser educativa mas ela tira o convívio social da criança (e dos adulto né?). Ao deixarem ver tv ou mexer no computador, estabeleça limite e cuide para eles vejam apenas desenhos educativos. A Evellin contou que sua filha vê Backyardigans e outros desenhos educativos e musicais. Lu já passou por maus bocados por causa do Chavez e do Pica-pau… ele achava que era certo gritar com pessoas e bater na mesa como o professor Girafalles, dentre outras atitudes… pelo menos conseguimos estrair o lado positivo de darmos aulas ou termos aulas como no programa.
No mais é tentar estrair o melhor dos desenhos e tranformar isso em brincadeiras e convívio social!
Contem pra gente a experiência que vocês têm com tv e família! Adoramos escutar as histórias e nos inspirarmos!
Ah, e falando em desenho, aguardem a próxima perola do Lu… tem tudo a ver e vocês vão achar super engraçado!!!